terça-feira, 18 de agosto de 2009

Leardi Imóveis / Portalimovelnet

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segunda-feira, 10 de agosto de 2009

IMÓVEIS E IMOBILIÁRIAS EM SÃO PAULO

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A
ABECIP - Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança



Abjudicar



Acabamentos



Ação de despejo



Ação revisional



Acessão imobiliária



ADEMI - Associação dos Dirigentes das Empresas do Mercado Imobiliário



Agência imobiliária



Agente fiduciário



Agente financeiro



Ágio



Alienação fiduciária



Aluguel



Aluguel por temporada



Amortização



Amortização extraordinária



ANM - Associação Nacional dos Mutuários



Anticrese



Apartamento cobertura




Apartamento conjugado



Apartamento dúplex



Apólice de seguro



Apropriação



Arbitramento



Área de uso comum



Área privativa



Área urbana



Área útil



Arras



Arrematação



Arrendamento



Arrendar



Ata



Aval



Avaliação



Avalista



Averbação





B
BC (ou Bacen) - Banco Central do Brasil



Benefícios fiscais



Benfeitorias




BNH - Banco Nacional da Habitação



Bonificações (Crédito à habitação)



Bonificado (Crédito)





C
Cadastro de imóveis



Cadastro do cliente



Caderneta predial



Caixa Econômica



Capital



Capital seguro



Capitalização de juros



Carta de crédito



Carteira hipotecária (CH)



Cartório de Notas



Cartório de Registro de Imóveis



Casa geminada



Caução



CEF - Caixa Econômica Federal



Certidão de Registro de Imóveis



Certidão de teor



Certidão negativa



Cessão



Cessionário



Co-propriedade



Cobertura



Código de Defesa do Consumidor



Coleta



Comissão



Comissão de abertura de crédito



Comodato



Compra



Comprometimento de renda



Compromisso de compra e venda




Comprovação de renda



Condomínio



Condôminos (Assembléia de)



Confisco de bens



Conservatória do Registro Predial



Construção por administração



Construção por empreitada



Construtora



Consumidor



Conta



Contrato



Contrato de adesão



Contrato de administração de imóveis



Contrato de aluguel



Contrato de compra e venda



Contrato de mútuo



Contrato de promessa de compra e venda



Contribuição autárquica



Cooperativa



Cooperativa habitacional



Correção monetária



CREA - Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia



CRECI - Conselho Regional de Corretores de Imóveis



Crédito construção



Crédito habitação



Crédito pessoal



Credor



Cronograma físico-financeiro





D
Dação



Denúncia vazia



Depósito caução



Deságio



Devoluto



DFI - Seguro de Danos Físicos ao Imóvel




Direito de preferência



Distrate



Dívida



Domicílio civil



Domicílio comercial



Dossiê





E
Elementos matriciais



Emitente ou Emissor



Empreitada



Empresário



Encargo do condomínio



Encargo fiscal



Enfiteuse




Entrada inicial (ou sinal)



Escritura



Escritura pública



Especulação imobiliária



Execução



Execução extrajudicial



Execução judicial





F
Favorecido



FCVS - Fundo de Compensação das Variações Salariais



FGTS - Fundo de Garantia por Tempo de Serviço



Fiador



Fiança



Financiamento



Financiamento imobiliário




Fiscalidade



Fornecedores



Foro contratual



Fração autônoma



Franquia



Fundo de amortização





G
Garantia



Garantia pessoal




Garantia real





H
Habite-se



Hectare




Herança



Hipoteca





I
IGP-M - Índice Geral de Preços de Mercado



Imissão de posse



Imposto



Imposto de selo



Imposto de transmissão



Inadimplência ou inadimplamento



INCC - Índice Nacional da Construção Civil



Incorporação imobiliária



Incorporador




Indexação



Indexador



Indexar



Índice de inflação



Inflação



Inscrição na matriz



IPCA - Índice de Preço ao Consumidor



IPTU - Imposto Municipal sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana





J
Juro



Juro bancário



Juro composto




Juro de mora



Juro simples





K



L
Laudêmio



Lei do Inquilinato



Leilão



Licença de construção



Licença de utilização



Licitação




Liminar



Liquidação antecipada



Lisbor



Locação de imóveis urbanos



Locador



Locatário





M
Matrícula do imóvel



Mediadores imobiliários



Memorial de incorporação



Metro quadrado (m²)



Mora




Multa



Multa contratual



Mutuante



Mutuário



Mútuo





N
Nota promissória




Notário





O
Ordem de despejo



Ordem de pagamento




Outorgante





P
Partilha



PCR - Plano de Comprometimento de Renda



PDM - Plano Diretor Municipal



Penhor



Penhora



Permilagem



PES/CP - Plano de Equivalência Salarial por Categoria Profissional



Poupança-Condomínio (conta)



Poupança-Habitação (conta)



Prazo de financiamento



Prazo do empréstimo




Prêmio de seguro



Prestação



Procuração



Produto



Projeto



Projeto imobiliário



Promotores imobiliários



Proponente



Propriedade horizontal



Proteção contratual





Q
Quitação




Quórum





R
Reajuste



Recebível



Reforma



Reforma do contrato



Reforma do edifício



Registro de Imóveis




Rescisão



Rescisão contratual



Reserva de propriedade



Responsabilidade civil



Retrovenda



Revisional





S
S/A - Sociedade Anônima



SAC - Sistema de Amortização Constante



Sacador



SACRE - Sistema de Amortização Crescente



Saldo devedor



Saldo residual



SAM - Sistema de Amortização Misto



Saque



SBPE - Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo



Securitização



Seguro de Danos Físicos ao Imóvel (DFI)




Seguro de Incêndio



Seguro de Morte e Invalidez Permanente (MIP)



Seguro de Vida



Seguro Fiança



Seguro Habitacional do Sistema Financeiro da Habitação



Servidão



SFH - Sistema Financeiro da Habitação



SFI - Sistema de Financiamento Imobiliário



SFN - Sistema Financeiro Nacional



Sinal



Sistema Francês de Amortização





T
Tabela price (TP)



Taxa



Taxa de câmbio



Taxa efetiva



Taxa nominal



Terreno




Terreno edificado



Título caucionado



Título de propriedade



TR - Taxa Referencial de juros.



Transmissão



Transmissão de propriedade





U
Usucapião



Usucapião de imóvel




Usufruto





V
Valor de mercado



Valor do contrato



Valor nominal



Valor real




Valor venal do imóvel



Vintenária



Vistoria





W



X



Y



Z
Zonas protegidas




Zoneamento


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São Paulo Apartamento Vila Mariana Imobiliária Imóveis Santos

São Paulo Rio de Janeiro Belo Horizonte Outras localidades
Apartamento Vila Mariana Copacabana Aluguel Castelo Imobiliária Imóveis Santos
Imóveis Moema Barra Imóveis Imóveis Contagem Salvador Imóveis
Apartamento Pinheiros Aluguel Flamengo Condomínio Nova Lima Imobiliária São Bernardo
Morumbi Imóveis Niterói Imóveis Casa Pampulha Aluguel Florianópolis
Aluguel Lapa Imóveis Recreio Imóveis Lagoa Santa Imóveis Guarujá
Mooca Imóveis Apartamento Ipanema Planalto Imóveis Santo André Imóveis
Imobiliária Santana Imóveis Jacarepaguá Imobiliária Santa Mônica Imóveis Campinas
Flat Jardins Apartamento Tijuca Apartamento Buritis Guarulhos Imóveis

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Venda de imóveis usados reflete fim da recessão e cresce 30,91% em São Paulo

Venda de imóveis usados reflete fim da recessão e cresce 30,91% em São Paulo
Imóveis até R$ 180 mil concentraram mais de 60% do total de contratos fechados na capital.

05/06/09, São Paulo, SP - A venda de imóveis usados na cidade de São Paulo cresceu 30,91% em junho, na comparação com maio. Foram vendidos 256 casas e apartamentos na capital em 446 imobiliárias consultadas pelo Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo (Creci-SP), o que fez o índice de vendas saltar de 0,4385 em maio para 0,5740 em junho.

Os apartamentos lideraram as vendas, com participação de 60,94% das negociações, enquanto as casas responderam pelos 39,06% restantes.

Os imóveis mais vendidos foram aqueles cujo preço médio não ultrapassou os R$180 mil - casas e apartamentos até esse valor representaram 61,11% do total de contratos fechados nas imobiliárias. Por faixa específica de valor, a campeã de vendas em junho, com 33,33%, foi a dos imóveis com preço superior a R$200 mil.

Em junho, houve nove registros de alta e cinco de baixa nos preços dos imóveis usados. O preço que mais subiu foi o de apartamentos de padrão médio com até sete anos de construção e localizados em bairros situados na Zona E, como Lauzane Paulista, M'Boi Mirim, Parelheiros. O metro quadrado subiu 26,72%, passando de R$1.428,57 em maio para R$1.810,34 em junho.

O preço que mais baixou foi o de casas de padrão médio situadas na Zona C, que agrupa bairros como Mirandópolis, Mooca, Santa Cecília, e construídas há mais de 15 anos. O preço médio caiu 26,91%, baixando de R$1.923,08 em maio para R$1.405,55 em junho.

A maioria das vendas foi feita com pagamento à vista, sem financiamento, modalidade que somou 61,47% dos contratos fechados pelas imobiliárias. Os financiamentos da Caixa Econômica Federal (CEF) e dos demais bancos responderam por 36,69% do total. O restante foi dividido entre os consórcios (0,92%) e o financiamento direto dos proprietários (0,92%).

Indicadores - Para o Creci-SP, uma combinação de fatores é a causa provável dessa melhoria nas vendas em junho. Entre elas, o aumento da confiança dos consumidores; a saída do Brasil da crise a partir de maio, com crescimento do PIB (Produto Interno Bruto); e os juros bancários mais baixos desde 2007 (baixa que se acentuou em 2009).

Segundo estudo do banco Bradesco, o PIB pode ter crescido até 2,2% no segundo trimestre deste ano, em relação ao primeiro trimestre. Já o Itaú estima esse crescimento entre 1,5% e 2%. O crescimento põe fim a dois trimestres seguidos de queda, que caracterizam uma recessão.

Em relação à confiança do consumidor brasileiro, pesquisa do instituto Nielsen aponta crescimento de 8 pontos entre março e junho, colocando o Brasil em quarto lugar entre os mais confiantes em uma lista de 28 países.

Já a taxa média de juros cobrada pelos bancos nas operações com pessoas físicas caiu de 47,3% ao ano em maio para 45,6% ao ano em junho, o menor valor desde dezembro de 2007.

"Mais confiante, sentindo-se mais seguro no emprego, com crédito mais acessível e mais barato para outras despesas, o paulistano pode sentir-se mais confortável para empenhar suas economias e reservas na compra da casa própria", diz o presidente do Creci-SP, José Augusto Viana Neto.

Locação - A locação de casas e apartamentos cresceu 14,73% em junho, na capital paulista, em relação a maio. As 446 imobiliárias consultadas pelo Creci-SP alugaram 1.052 imóveis, o que fez o índice de locação evoluir de 2,0559 para 2,3587.

Os apartamentos somaram 57,98% das locações, ficando as casas com os restantes 42,02%.

Os imóveis mais alugados foram os de aluguel até R$800,00, que representaram 67,46% das novas locações.

A pesquisa levantou 15 registros de baixa e 13 de alta no conjunto de imóveis dos quais se obteve os valores de locação. O aluguel que mais baixou - 26,39% - foi o de casas de três dormitórios situadas em bairros da Zona E: o valor caiu de R$872,22 em maio para R$642,00 em junho. A maior alta foi a dos apartamentos de dois dormitórios situados em bairros da Zona B, como Chácara Flora, Alto da Lapa, Consolação - o aluguel médio aumentou 27,58%, passando de R$932,50 em maio para R$1.189,66 em junho.

DE: http://www.portalimovelnet.com.br

Potenciais visitantes do Sisp mostram interesse pela compra de imóveis de 2 e 3 dormitórios

Potenciais visitantes do Sisp mostram interesse pela compra de imóveis de 2 e 3 dormitórios
Imóveis de R$ 100 mil a R$ 160 mil têm o maior número de interessados, seguidos por imóveis de até R$ 100 mil.

07/08/09, São Paulo, SP - Pesquisa realizada com os pré-credenciados para o Salão Imobiliário São Paulo (Sisp), que ocorre de 24 a 27 de setembro, no Pavilhão de Exposições do Anhembi, aponta que aproximadamente 61% dos potenciais visitantes querem ir ao evento para comprar um imóvel residencial para uso próprio. Imóveis novos de dois ou três dormitórios são os mais citados, com 22% e 13%, respectivamente. Porém imóveis usados com os mesmo números de dormitórios também estão na lista das ofertas procuradas.

Em relação ao valor, a pesquisa aponta que aproximadamente 30% dos pré-credenciados estão interessados em imóveis de R$ 100 mil a R$ 160 mil. Mais de 27% mostram interesse em imóveis de até R$ 100 mil, enquanto pouco mais de 12% pretendem comprar imóveis entre R$ 160 mil e R$ 220 mil. "Com esse perfil de visitantes notamos a sintonia do evento com o “Programa Minha Casa, Minha Vida”, visto os expositores estão se preparando para oferecer imóveis residenciais a partir de R$ 70 mil", comenta Eduardo Sanovicz, diretor de feiras da Reed Exhibitions Alcantara Machado, empresa responsável pela organização do evento e pela pesquisa.

Todas as regiões da capital paulista foram citadas, bem como a Grande São Paulo, o litoral e o interior. A pesquisa abrangeu um universo de aproximadamente 3.000 pré-credenciados pelo site da feira.

Serviço:
Sisp - Salão Imobiliário São Paulo
Data: De 24 a 27 de setembro de 2009
Horário: Quinta e sexta (24 e de 25/9), das 12h às 21h. Sábado e domingo (26 e 27/9), das 10h às 21h
Local: Pavilhão de Exposições do Anhembi, Parque Anhembi - Av. Olavo Fontoura, 1209 - Santana - São Paulo/SP

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sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Marxismo verde

Marxismo verde
Leia prefácio da obra de Guilherme Dourado sobre os jardins de Burle Marx

HUGO SEGAWA, ARQUITETO E PROFESSOR DA FAU-USP
Em seu centenário de nascimento, Roberto Burle Marx pode ser lembrado como uma persona. Livros recentes o reposicionam como um mestre da arte de receber, o refinado chef e apreciador da boa mesa. Ou cultivam narrativas de sua vida para leitores jovens, até com uma visão da sobrinha-neta sobre o tio-avô. Quando recém-falecido, não faltaram louvores sobre o arquiteto-paisagista, ambientalista, botânico, jardineiro, pintor, desenhista, gravador, tapeceiro, escultor, professor de pintura, designer de joias, cantor lírico, cozinheiro, gourmet, amigo - colecionando as aptidões mencionadas nos livros, artigos, resenhas e depoimentos sobre ele. Desse multifacetado e fértil perfil, não isento de afetividades e emotividades, talvez o aspecto menos examinado nos últimos tempos seja - paradoxalmente - o do arquiteto-paisagista. Não que a sua simbiose com jardins e plantas tenha deixado de ser o foco das atenções.

É um privilégio para qualquer artista que um livro como o da argentina Marta Íris Montero conheça versões em espanhol, inglês e francês por prestigiosas editoras, e que essas publicações estivessem disponíveis até em livrarias de aeroportos. Trata-se de um livro bonito pelas imagens, mas com palavras cristalizadoras de lugares-comuns sobre a sua obra. Também não é o caso de crer unicamente nos escritos do mestre, tão bem reunidos e comentados pelo seu discípulo José Tabacow em Arte & Paisagem. Entre esses extremos se situa a fortuna crítica de Roberto Burle Marx e seu paisagismo.

O escocês-norte-americano Ian McHarg - autor de um dos mais celebrados (como também criticados) livros de paisagismo do século 20, Design with Nature -, em sua autobiografia de 1996 prestou homenagem ao arquiteto-paisagista brasileiro: "Em 1954 havia dois candidatos pela honra de maior arquiteto-paisagista do mundo: Lawrence Halprin e Roberto Burle Marx. Há muito admiro Roberto Burle Marx porque ele sintetizou sua busca de arte com seu conhecimento de plantas. Ele entendeu a beleza da flora nativa, e elevou o uso das plantas brasileiras para uma forma de arte em seus projetos."

A construção internacional recente de opiniões sobre o arquiteto-paisagista brasileiro realiza-se a partir de recorrências. Janet Waymark dedica algumas páginas a Burle Marx, adotando a palavra "brasilidade" no entretítulo que abre suas considerações. Sem mais explicação, ela tomou emprestado o termo de um escrito introdutório de um livro organizado por Rossana Vaccarino, cujo significado foi apenas mais bem explicitado em uma antologia publicada por Marc Treib mais tarde. No Brasil, o quadro não é diferente: de modo geral, pode-se observar que os autores recentes se amparam quase sempre nas apreciações dos predecessores (como Pietro Maria Bardi, Flávio Motta, Jacques Leenhardt, Giulio Rizzo, Bruno Zevi, Mario Pedrosa, etc.), confinados a um repertório básico dos mesmos projetos paisagísticos para publicação.

Guilherme Mazza Dourado estava ciente dessas recorrências e circunlóquios quando se debruçou sobre Roberto Burle Marx. Goethe escreveu: "O mais tolo de todos os erros ocorre quando jovens inteligentes acreditam perder a originalidade ao reconhecer a verdade já reconhecida por outros." Dourado, como pesquisador e crítico, não renega seus antecessores. Também não deixa de repisar um conjunto de obras bastante difundido. Bem como se pode perceber sua simpatia com o mestre - por mais isenção que procure demonstrar em suas análises. Mas, ao preocupar- se em "jogar novas luzes no processo de revisão por que vem passando a obra de Burle Marx", é preciso recordar que esse trabalho, concluído no início do ano 2000, procede também da saturação dos chavões que circularam na década da morte do grande arquiteto-paisagista. Aos leitores com menos familiaridade, gostaria de chamar a atenção de alguns aspectos da contribuição de Dourado para a compreensão da trajetória e da paisagem de Burle Marx.

No capítulo Descoberta da Natureza, parece inevitável rememorar a "descoberta" da flora brasileira pelo adolescente Burle Marx no Jardim Botânico de Dahlem. Mas, para além da legendária "revelação" de viés milagroso com que se evoca habitualmente esse encontro, Dourado discute com mais acuidade e referências o substrato cultural que aprofunda a dimensão das relações entre a natureza e as atitudes do arquiteto-paisagista, desdobrando-as no tempo. A "brasilidade" apresentada na literatura internacional é posta em questão. É aqui também que ele resgata fragmentos de inéditos registros das célebres expedições botânicas de Burle Marx. As palavras do arquiteto-paisagista revelam seu olhar atento e extasiado para a paisagem, ao mesmo tempo que descrevem o triste episódio com o arquiteto e amigo Rino Levi, companheiro de incursões botânico-paisagísticas e parceiro em inúmeras obras.

A recuperação desses registros só foi possível graças à confiança depositada por Haruyoshi Ono e Fátima Gomes sobre o cuidadoso pesquisador, ao generosamente franquearem os arquivos da Burle Marx & Cia. Não fosse assim, teriam sido impossíveis as considerações desenvolvidas ao longo dos capítulos Estética Tropical e Criando Lugares. Neles, Dourado volta-se para momentos de inflexões e consolidação na trajetória do arquiteto-paisagista. Mas, diferentemente do usual, pela primeira vez são reproduzidos os desenhos originais de projetos clássicos do acervo de Burle Marx, particularizando todas as especificações vegetais. Dourado radicaliza um procedimento apontado por Flávio Motta, ao chamar a atenção do vocabulário vegetal como hipótese de análise das obras. Em sua diligência por fontes primárias, Guilherme ilumina outras preciosidades originais. Uma delas são as fotos das obras recifenses (1935- 1937) de Burle Marx zelosamente guardadas pela arquiteta-paisagista Gilda Pina (infelizmente falecida pouco depois de disponibilizar tão importantes documentos). A outra é o jogo de desenhos e pormenores da primeira, desconhecida e não-executada, proposta dos jardins do Ministério da Educação e Saúde (MES), no Rio de Janeiro, datado de 1938, com traçados retilíneos. Uma bela fotografia de Marcel Gautherot (reproduzida neste livro) do jardim realizado é a capa da edição do Journal of the Society of Architectural Historians que traz uma cuidadosa análise da historiadora de arte Valerie Fraser da Universidade de Essex. Se Fraser tivesse conhecimento dessa versão retilínea dos jardins, seguramente suas interpretações não poderiam ser conforme as publicadas. E essa versão irrealizada permanecerá como mais um dos enigmas indecifráveis da história da arquitetura e do paisagismo. Dourado localizou esse nunca visto anteprojeto em 1998. Por ironia do destino, pouco antes do falecimento de Lucio Costa, o chefe da equipe do projeto do ministério que poderia esclarecer o sentido desses desenhos. Pelo carimbo das pranchas (os dados que identificam o conteúdo dos desenhos), percebe-se como o período recifense e o jardim do MES, não obstante de feituras distintas, são de uma mesma fase do arquiteto-paisagista.

Difícil aquilatar o alcance da contribuição deste livro de Guilherme Mazza Dourado, posto que seguramente ele não poderia esgotar as análises sobre tão valioso material e tão fascinante tema. Muitas pontas seguem abertas. Mensura-se o valor de uma pesquisa justamente na sua potencialidade de semear dúvidas e problematizações sobre uma persona de quem parece tudo se conhecer, todavia ainda pouco se sabe. São revelações como as que Dourado traz e que outros trarão que me fazem cada vez mais convicto que no âmbito da arquitetura e do paisagismo, sem desqualificar o reconhecimento e a repercussão internacional de um gigante como Oscar Niemeyer, Roberto Burle Marx é a contribuição mais transcendental do Brasil para a cultura mundial do século 20.

Nota da Redação: Por motivo de padronização, foram suprimidas as notas de rodapé do texto. O livro Modernidade Verde: Jardins de Burle Marx (Senac/Edusp), de Guilherme Mazza Dourado,chega às livrarias na próxima semana .

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